
O céu resume-se uma imensidão preta essa noite. Nada de estrelas, nenhum ponto de luz. Talvez elas tenham ido fazer companhia para você. Está escondida em algum lugar desse imenso céu, meu anjo? Procuro-lhe há algum tempo, mas como já disse, não há nenhum ponto de luz nesse céu. Talvez ele esteja querendo fazer companhia para meu coração. Aqueles que nos iluminam não estão conosco hoje. Só podemos ver escuridão. É só o que vemos, sentimos, e transmitimos. Espero que quando as estrelas voltarem, você também venha até mim. Mais um dia se foi. E nada. Absolutamente nada. Nada de você, nada de sorrisos verdadeiros, nada de sonhos realizados. Apenas risadas forçadas, sorrisos esboçados para esconder a dor e lágrimas seguradas que agora transbordam pelo meus olhos explodindo junto com meu coração. A única coisa que permaneceu intacta, foi meu vazio. Inquebrável. E ele continua, atormenta todo meu corpo. Como se fosse incapaz de fazer algum movimento. Como se eu fosse pequena demais pra tudo. Só que sinto-me exatamente dessa forma. Mais 24 horas se passaram, e nada conseguiu deixar-me plenamente feliz. Temo por isso. Temo pelas lágrimas, temo pelo medo de nunca poder encontrar a verdadeira felicidade. Temo pelo vazio constante que plena em minha alma, fazendo com que meu corpo amoleça e a vontade de viver permaneça intacta, parada, escondida em algum canto de meu corpo que não está nem um pouco afim de reaparecer. Temo pela dor acabar e só restar uma alma vazia. Por isso agora agradeço pela dor ecoar sob meu corpo e lembrar que ainda há você em mim. Pois é ela que me alerta que meu amor por ti está vivo quando você não pode sorrir ou aparecer para mim. Os ponteiros do relógio são meus inimigos agora. A cada movimento, cada milímetro deslocado, é uma facada. Coração insiste e não quer saber, diz que ainda amo você. Que vou fazer? Quem vou escutar? Quem vai perder? E quem vai ganhar? São dois rivais, na decisão: Sim ou Não. Razão e Coração. Mas como te esquecer se só de ouvir sua voz eu me sinto no paraíso? Se te vejo em todo lugar, até com meus olhos fechados? Pra que esquecer seu nome se nada vai mudar? Pra que dizer que te amo se nada vai adiantar? Por que chorar se tudo tem um fim? Pra que te esperar se você não vai vir? São perguntas que não tem respostas, uma corrida que ainda não acabou. Até agora, a razão está para trás... O coração está ganhando. Eu não consigo viver em um mundo no qual você não exista, meu amor, sou fraca demais para te esquecer, ou até mesmo tentar. Mesmo com a vista embaçada pelas lágrimas, consigo lhe enxergar por trás dos espelhos d'água que estão ao seu redor. Meus olhos procuram os seus, com a fome do horizonte. Logo encontro, meu oceano cheio de promessas. Mergulho em seus olhos, e assim acalmo meu coração, que até então estava desesperado gritando por você. Foco-me em sua imagem. É como uma luz estonteante, provocante. Te alcançar. É o que mais preciso. Seria mais fácil se você estivesse aqui, do meu lado, onde eu poderia te tocar e ver seu sorriso próximo ao meu. Seria menos doloroso se eu estivesse aí, perto de você, de modo que eu pudesse olhar nos seus olhos frente a frente e ignorar o brilho das estrelas, pois nada é melhor do que seu rosto enquadrado na minha mente. Seria menos doloroso se eu estivesse aí, perto de você, de modo que roubasse minha dor à noite, que levasse a tristeza embora com sua respiração próxima. Seria tão azul o céu, mesmo em um dia nublado, se sua pele alva estivesse em contato com a minha. Seu riso, meu doce calmante. Iguala-se ao barulho das águas e a calmaria do canto dos pássaros. É tão doce quanto mel, e tão apetitoso quanto o próprio. Teu riso deixa marcas, teu riso deixa alegria. Sou um jardim e teu riso é a borboleta que traz vida e beleza ao lugar. Sou uma criança e teu riso é a felicidade da mesma. Sou uma lágrima e teu riso é sua verdade. Sou um cego e teu riso é o meu condutor. Sou uma qualquer e teu riso é a minha felicidade. Sou uma amante e teu riso é o meu amor.
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